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terça-feira, 17 de setembro de 2013

História do Brasil - Período Colonial - Quarta Parte



Mineração

Com o recalque violento da Holanda, ao iniciar o plantio do açúcar nas Antilhas, Portugal ganhou um forte concorrente. A situação em que o Estado Luso se encontrava não era nada agradável: dívidas a quitar com a Inglaterra, uma burguesia mimada que não larga dos privilégios nem por reza brava e, para ferrar com tudo, há a redução nos lucros com o açúcar.
Porém, com a descoberta das minas de ouro, no fim do século XVII (século 17, para aqueles que, assim como eu, acham a maior viadagem ser errado não escrever o século com números romanos), surge uma luz no fim do túnel. Com ouro pra caramba quem passa necessidade? Uma pista: isso mesmo, Portugal! Isso será explicado mais a diante.
Os bandeirantes, aquele monte de doido que, primeiramente, carregava bandeira no meio do mato pra pegar índio escravo fugido, foram os descobridores do ouro, na região de Minas Gerais, mais precisamente em Ouro Preto (lógico que o ouro não era preto). A notícia se espalhou rapidamente, tanto no Brasil quanto na Europa, o que fez a região do ouro ser o destino de milhares de pessoas cujo objetivo era enriquecer. Lógico que Portugal não ficou para trás, logo criou uma forma de cobrar impostos (muito altos, inclusive) sobre o ouro explorado. Surgia a Intendência das Minas. O quinto era o imposto equivalente a 20% do ouro extraído, havendo também a capitação, que era o imposto relativo ao número de integrantes da família do minerador, o que posteriormente foi modificado para o equivalente ao número de escravos que ele pertencia. Os colonos não gostaram nada dessa história, o que fez surgir os primeiros sentimentos de revolta.
Como não havia fiscalização sobre a quantidade de ouro que alguém encontrava, o espertinho poderia simplesmente não revelar sua descoberta, evitando ter que pagar para a coroa. Quando Portugal finalmente percebeu isso, criou as Casas de Fundição, cuja função era a seguinte: todo ouro extraído deveria ser fundido em barras com o selo da coroa portuguesa. Caso alguém fosse encontrado com ouro em pó ou em qualquer outro estado que não correspondesse às exigências, esse coitado seria preso. Nas casas de fundição o valor relativo ao quinto já era descontado. Não precisa dizer que o valor descontado, obviamente, era muito maior que aquele previsto. E a raiva dos colonos vai crescendo.
Após o progressivo aumento de impostos, que geravam cada vez menos lucro aos mineradores, surgem as primeiras revoltas, tais como: Revolta de Beckman, Guerra dos Mascates e Guerra dos Emboabas. Claro que não foram as únicas, mas são as mais importantes. As Revoltas Nativistas não tinham a intenção de separar o Brasil da metrópole, mas a revisão da pressão da coroa lusitana. Vamos lá:
Revolta de Beckman: quem aí pensou naquele carinha que joga futebol PÊÊÊÊÊÊÊÊÊMMMMM! Não é ele, porque o nome do cara é “Beckham”. Continuemos. Essa revolta teve como liderança os irmãos Tomás e Manuel Beckman (daí o nome), tendo como objetivo dar um “jeito” na Companhia de Comércio do Maranhão, que detinha o monopólio das atividades comerciais. Segundo os revoltosos a Companhia não garantia o número de escravos necessário para a produção, além de cobrar muito cara por aquilo que lhes vendia. Os jesuítas também colaboraram para a eclosão da revolta, afinal não eram favoráveis à escravização dos índios. Os revoltosos tomaram do governo, suspenderam a Companhia De Comércio do Maranhão e meteram o pé na bunda dos jesuítas que foram pedir arrego na Bahia. Portugal entrou no meio da briga e acabou com a bagunça, o Manuel foi enforcado e seu irmão Tomás ficou preso por duas décadas. Curiosa sobre o que motivou tanta baderna, a coroa investigou a Companhia de Comércio, o que resultou na sua posterior extinção, confirmados os abusos. Os jesuítas puderam voltar para o Maranhão.
            Guerra dos Mascates: basicamente foi uma briga entre Recife e Olinda. Em Recife viviam os mascates (comerciantes portugueses), e em Olinda os senhores de engenho. Com a expulsão holandesa e a concorrência do açúcar por eles produzido nas Antilhas, a produção açucareira no Brasil caiu drasticamente. Sem grana, os senhores de engenho buscaram ajudo nos mascates, que começaram a financiar os seus negócios. Muitos senhores perderam suas terras por não conseguirem pagar as dívidas. Crescia assim o poder dos mercadores portugueses. Porém, toda essa força econômica não garantia aos mercadores a independência da Câmara Municipal de Recife. Já deu pra ver no que vai dar né? Pois então, Recife teve reconhecimento de sua autonomia, em relação à linda, por parte de Portugal. Soou o gongo! Os senhores de engenho olindenses, que já não tinha muito a perder, caíram no fight com Recife. Mais uma vez Portugal entrou pra separar, acabando com a confusão.
            Guerra dos Emboabas: os emboabas eram imigrantes estrangeiros ou de regiões do Brasil que não se encontravam nos limites paulistas. Os conflitos entre os paulistas e os emboabas datam do início da imigração para o Brasil em busca de ouro. Depois de tantos enfrentamentos entre ambas as partes, um episódio caracterizou todo o movimento: o Capão da Traição, que ocorreu quando os emboabas chamaram os paulistas para ma “negociação”, onde mataram quase todos, cerca de 300. Os que sobreviveram fugiram para Goiás e Mato Grosso, onde encontraram ouro também. Com o fim da guerra (sim, já acabou) Portugal criou a Capitania Real de São Paulo e Minas do Ouro, buscando maior controle na administração.
            Próxima postagem falando sobre Marquês de Pombal e revoltas separatistas, até mais!         

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

História do Brasil - Período Colonial - Terceira Parte



      Para o oeste meu jovem!
           
Até a segunda metade do século XVI, o interior do território brasileiro permanecia praticamente inexplorado. Os investimentos econômicos, sejam espanhóis ou portugueses, se concentravam na porção litoral. No caso espanhol, no litoral pacífico, no caso português, no litoral atlântico. Com a União Ibérica, em 1580, os lusitanos se viram livres para adentrar o território, afinal não havia mais limites entre o que pertencia a Espanha ou a Portugal. Surgiram vilas interioranas, principalmente em áreas anteriormente pertencentes à Espanha. Surgia assim o Bandeirismo.
            Os bandeirantes, como eram conhecidos os colonos paulistas, assim como os Jesuítas, que eram missionários a serviço da Companhia de Jesus, tiveram a maior participação na interiorização do território brasileiro. Mas agora resta a pergunta: se no nordeste o pessoal tinha trabalho nos engenhos, tinha açúcar para plantar e colher, além de estar próximo ao centro de escoamento de mercadorias para a metrópole, por que diabos esses infelizes vão querer inventar de entrar em um território cheio de índio doido (brincadeira indiozinhos, amamos vocês. São os canibais) querendo comer gente? Simples: com o fracasso da capitania de São Vicente, a população local ficou sem ter o que fazer, o que fez com que rumassem para o interior em busca de riquezas. De início, desenvolveu-se a agricultura nas regiões recém povoadas, com auxílio da mão de obra indígena, escravizada, é claro. Muito bem, aí está uma forma de lucro obtida pelos bandeirantes: apresamento de índio, dando-lhes o nome de Bandeirantes de Apresamento. Logo de cara os lucros foram grandes, visto que com a invasão holandesa no nordeste e a consequente perda de mão de obra escrava (afinal os invasores passaram a controlar o tráfico naquela região, e as partes nordestinas que não se encontravam sob controle holandês sofreram com a escassez de mão de obra) era necessário a substituição do negro africano. A saída encontrada foi a captura de índios (exatamente, CAPTURA, como se fossem animas selvagens que precisam de adestramento). As missões jesuíticas, que era onde se encontravam os indígenas que os jesuítas buscavam catequizar, foram os maiores alvos dos bandeirantes, pois por lá os nativos eram mais bem preparados para o trabalho, já que estavam “acostumados” com o estilo europeu. 

Bandeirantes (esquerda) e Jesuítas (direita).


            Com a expulsão holandesa em 1654, o tráfico negreiro voltou ao normal, fato que somado à concorrência do açúcar das Antilhas, que diminuiu a lucratividade nordestina, reduziu drasticamente a demanda por escravos indígenas. Como saída, surgiram as Bandeiras de Prospecção, cujo objetivo era encontrar metais preciosos. As primeiras jazidas auríferas foram encontradas em Minas Gerais, logo em seguida em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Houve também o Sertanismo de Contrato, em que os bandeirantes eram pagos para destruir quilombos e/ou capturar escravos fugidos. 

Zumbi, líder do maior quilombo já conhecido.
Não dá para negar como os bandeirantes foram importantes para a exploração e colonização do interior do Brasil, mas devemos lembrar que houve milhares de mortes pelas mãos dos mesmos, a maioria indígenas que ofereciam resistência ao aprisionamento, sem falar nos negros quilombolas que também foram assassinados. Enfim, para quem não entendeu a frase “Para o oeste meu jovem!” foi uma citação à marcha para o oeste, empreendida nos Estados Unidos, estimulada por George Washington, não entrarei em mais detalhes, pois essa parte é com o Marotta.          

História do Brasil - Período Colonial - Segunda Parte



            



          Holanda Recalcada
                      Invasões Holandesas

Para entender os motivos que levaram a Holanda a invadir o Brasil, é necessário antes conhecermos um pouco da história desse país que mesmo tão pequeno deu tanta dor de cabeça a Portugal. Ainda na Idade Média, a território hoje ocupado pelos holandeses se tornara uma região de intenso comércio, contando inclusive com uma feira, fazendo surgir uma classe burguesa poderosa. O êxodo causado pelas perseguições católicas aos judeus, na península Ibérica, levou esse pessoal manja dos monoteísmos a seguir viagem para os chamados países baixos. Muitos desses “fugitivos” eram bancários influentes e homens do comércio, o que fortaleceu ainda mais a classe burguesa da região.
            Quando uma pessoa tem grana e quer ganhar mais grana, o que ela faz? Ela investe, empresta dinheiro a juros, compra imóveis e sei lá mais o que, o negócio é ganhar mais dinheiro. Foi isso que os holandeses fizeram na Europa, tento grande importância inclusive nas lavouras de cana de açúcar, no nordeste brasileiro, ao emprestar dinheiro a Portugal. Porém, o poder econômico holandês não lhe dava soberania política, fazendo com que se submetessem à dinastia Habsburgo. Durante o governo de Filipe II, rei da Espanha e também de Portugal (na União Ibérica, lembram?), um grande movimento separatista terminou com a independência da Holanda, deixando o rei espanhol, português, (Espanhoguês, talvez, ou até mesmo Portunhês) puto da vida. O cara quase criou um bezerro. Como vingança, criou então o embargo espanhol, que visava limitar a participação holandesa nos negócios do açúcar brasileiro. A Holanda, é claro, odiou. Criou então a Companhia das Índias Orientais, para abrir o mercado oriental a produtos holandeses. Com o grande sucesso gerado pelo empreendimento, criou também a Companhia das Índias Ocidentais, para furar o bloqueio do rei Espanhoguês. Chegamos à parte legal: por meio dessas companhias, o governo holandês organizou a invasão do nordeste brasileiro. Tentaram primeiramente tomar a Bahia, que além de comportar grande parte da produção açucareira, era a sede do governo-geral. Conseguiram, em 1624, o que queriam, mas logo foram expulsos, em 1625, por grupos chefiados pela aristocracia. Mas não desistiram, e em 1930 atacaram conquistaram, com facilidade, Recife e Olinda, as principais cidades de Pernambuco. Surge assim o chamado Nordeste Holandês.
Olhem só uma gravura do cerco à Olinda:


            Apesar da relativa facilidade de tomar as cidades, não foi tão simples a conquista das áreas de engenho, que contavam com tropas portuguesas para sua proteção. Mas o objetivo foi alcançado, sendo a capitania de Pernambuco incorporada aos domínios Holandeses. A relação dos produtores de cana-de-açúcar com os novos senhores de engenho tornou-se muito boa, principalmente após a chegada do administrador do “Brasil holandês”, o conde Maurício de Nassau. Esse cara muito gente boa se aproximou dos produtores de cana por meio de medidas como: empréstimos aos prejudicados pela invasão, que havia gerado uma quebradeira do caramba; liberdade política e religiosa; garantia do direito à propriedade dos senhores de engenho. Além de tudo isso, Nassau ainda promoveu a urbanização da cidade de Recife, que passou a contar com pavimentação adequada, pontes, áreas de lazer, dentre outros.
            No entanto, a união Ibérica e desfez, em 1640, trazendo ao povo Português a autonomia que de certa forma havia sido roubada. Contando com a ajuda da Inglaterra, Portugal se reergueu. Mesmo assim a coroa lusa não tinha cash para expulsar os holandeses do Brasil. Na mesma época a Holanda se envolveu em conflitos contra a Inglaterra, o que gerou enormes perdas aos cofres holandeses. Sem dinheiro, o governo holandês se viu obrigado a aumentar impostos no nordeste do Brasil, juntamente com os juros cobrados pelos empréstimos além de diversas outras coisas que corroeram a boa relação existente entre a aristocracia rural nordestina e a Companhia das Índias Ocidentais. Mesmo sem contar com o apoio lusitano, os nordestinos reuniram forças contra a opressão holandesa, em 1645, e em 1654 expulsaram os mesmos. Foi a chamada Insurreição Pernambucana. Isso não significou, porém, a retomada imediata da economia açucareira, pois lá se fora um importante investidor. A Holanda, todavia, começou a investir no açúcar, a partir das experiências aqui acumuladas, nas Antilhas. Surge então um concorrente para o açúcar brasileiro.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

História do Brasil - Período Colonial - Primeira Parte



            O período colonial brasileiro é longo para ser explicado em uma só postagem, porém vou dividi-lo em tópicos para facilitar o estudo. Aí vai o primeiro:
           
1 - Início da colonização

Os Portugueses chegaram ao Brasil em 1500, porém somente em 1530 começaram de fato a exploração, visto que o comércio com as Índias gerava lucros muito maiores que aqueles que as novas terras, à primeira vista, poderiam fornecer. O pau-brasil foi explorado pelo Estado lusitano até 1504, quando o mesmo passou a exploração da madeira para a iniciativa privada (Fernão de Noronha), afinal os lucros obtidos não eram grandes o suficiente para valer o trabalho. A mão de obra utilizada inicialmente foi a de índios, que recebiam como pagamento objetos como espelhos e outras porcarias sem valor algum. Após algum tempo os indígenas foram escravizados.
            Esse abandono por parte daqueles que nos “descobriram” foi revisto quando outros Estados nacionais ameaçaram a posse portuguesa. Além disso, devemos considerar que o ouro e a prata encontrados em grande quantidade pelos espanhóis despertaram interesses da monarquia, que, como já foi dito, iniciou o processo de colonização em 1530. O projeto de colonização das terras brasileiras começou com expedições que visavam povoar o local, onde posteriormente foi criada uma empresa produtora de açúcar, que era um produto já conhecido pelos portugueses. A submissão da colônia à metrópole caracterizou o Pacto Colonial.
            Em 1534 o território brasileiro foi dividido em 15 faixas de terras, as chamadas Capitanias Hereditárias. Essas foram entregues a 12 pessoas (óbvio que não era qualquer um que recebia, deveria ter no mínimo capacidade financeira para investimentos), os chamados Capitães Donatários. Cada capitão tinha, basicamente, quatro deveres, contidos no Foral (parte da documentação), é o chamado (por mim e mais uma meia dúzia de gato pingado) PPPC: Produzir, Povoar, Proteger e Catequizar. Mas o projeto não deu muito certo, pois alguns capitães (dez deles) simplesmente não deram conta do recado. Somente as capitanias de Pernambuco e de São Vicente não fracassaram.
            O fracasso das capitanias foi associado à descentralização do poder na colônia, o que seria resolvido com o Governo-Geral. A intenção da coroa era centralizar o poder, submetendo os donatários aos interesses portugueses. Além do cargo de governador-geral, foram criados ainda os cargos de capitão-mor (responsável pela defesa do território), ouvidor-mor (que comandava a justiça) e provedor-mor (responsável pelas finanças). As capitanias que foram abandonadas passaram ao controle do Estado luso, passando a se chamar Capitanias Reais. Após mais de dois séculos de modificações internas do governo-geral, as capinais foram transformadas em províncias.

            2 - Cana de açúcar, Portugal + Espanha.

            Para quem não entendeu seria: Plantação de Cana de açúcar e União Ibérica. Vamos ao que interessa: porque cana de açúcar? Porque não algodão? Tomate? Beterraba? Bem, o solo do nordeste brasileiro era (do verbo “não é mais porque ferraram com tudo por lá”) favorável, assim como o clima e a posição geográfica (proximidade do litoral, o que facilita o escoamento da produção para a metrópole, além da relativa proximidade da mesma).
            Como os custos para a implantação da lavoura canavieira eram muito altos e Portugal não tinha cash, onde foram pedir ajuda? Holanda! A dependência do capital holandês era tão grande que após algum tempo os lucros obtidos eram passados à Holanda quase que em sua totalidade, sendo assim o país de origem do nosso querido Seedorf arrecadou montantes de money.
            O sistema de produção era o de Plantation (Joel Santana curtiu isso). Era basicamente uma estrutura que girava em torno da monocultura, do latifúndio, escravidão e produção voltada para a exportação. Inicialmente optou-se pela escravização do nativo. Posteriormente foi substituído pelos africanos, o que merece certa atenção.
           
NOTA: Porque a substituição da mão de obra? Há quem diga que o negro é mais apto ao trabalho, que o indígena é preguiçoso e até mesmo que o negro africano estava acostumado a ser escravizado. ISSO TÁ ERRADO! Na verdade o trafico negreiro gerava lucros para a coroa lusa, além de trazer mão de obra.
Em termos de ENEM, que é o nosso foco no momento, não é necessário aprofundar mais na estrutura fundiária colonial, portanto vamos à União Ibérica.

A União Ibérica, como o próprio nome diz, foi a união entre os países ibéricos: Portugal e Espanha. Mas o que causou isso? Vejamos: Dom Sebastião, que sinceramente era um cara foda, morreu na batalha de Alcácer Quibir, em 1578 (olha que doidera, um rei que vai para a guerra com os soldados, merece meu respeito). Como não tinha herdeiros diretos, surgiu uma crise sucessória. Depois de muita discussão, o rei da Espanha, Filipe II assumiu o trono português, por ter parentesco com d. Sebastião (é claro que não foi numa boa, pacificamente, Filipe II invadiu Portugal). Mas Filipe II foi um cara legal, prometeu por meio do Juramento de Tomar que Portugal não seria anexado à Espanha, como dominado, nem as terras brasileiras seriam tomadas pelos Espanhóis. A união durou 60 anos. Mesmo assim a economia portuguesa sofreu fortes abalos, o que gerou um movimento de restauração liderado por d. João, coroado como rei de Portugal como Dom João VI, em 1640.
Na próxima postagem falaremos sofre as invasões estrangeiras. Até mais!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

História do Brasil - A Expansão Marítima Portuguesa



—"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

Eis aqui uma passagem da obra Os Lusíadas, de autoria camoniana. O episódio narrado, protagonizado pelo Velho de Restelo, deixa evidente como Portugal, pelo menos na visão de Camões, ansiava por poder, glória, riquezas e fama. É evidente que o principal motivo das Grandes Navegações não foge muito disso, visto que, após chegar às terras hoje conhecidas como Brasil, a preocupação portuguesa era obter lucros com a “descoberta”. Mas chega de enrolação, vamos ao que interessa: A Expansão Marítima Portuguesa.
Essa história começa em 1492, quando um genovês chamado Cristovão Colombo (acredito que todos tenham ideia de quem estou falando) chegou ao continente americano. Sob ordens (eu diria patrocínio) da coroa espanhola, Colombo partiu da península ibérica rumando a oeste com o objetivo de chegar às Índias, traçando assim um novo caminho para o centro de comercialização de especiarias mais lucrativo até então.
NOTA: Até aquela época, acreditava-se que ao avançar mar adentro as embarcações encontrariam um precipício, onde as águas de todos os mares convergem, o que gerava medo nos marinheiro. Nesse ponto é válido dizer que Colombo foi muito corajoso (ou muito retardado, dependendo do ponto de vista) ao chamar para si a responsabilidade de navegar em águas inexploradas. Além disso, não era de conhecimento geral, a não ser de estudiosos que eram erroneamente ignorados, que a Terra era redonda. Dogmas religiosos alienavam a população a acreditar que o planeta era um plano, cujas extremidades seriam o precipício citado. Mais um joinha para Colombo, cujo pensamento era seguir para oeste, contornar o planeta e chegar às índias pelo leste.  
Mas porque dar uma volta gigantesca no mundo para chegar a um lugar tão perto, tão próximo da Europa? Simples: o comércio de especiarias passou a ser intermediado por árabes muçulmanos, que compravam o produto indiano e revendiam à Europa, encarecendo-o e reduzindo os lucros dos países europeus, que cuja alternativa seria dar a volta no sul do continente africano para comprar os produtos em primeira mão, o que foi feito por Vasco da Gama em 1497-1498, episódio que será citado depois. Após tomar conhecimento da descoberta de novas terras, a Espanha se declara dona de tudo, porém, Portugal, insatisfeito (puto da vida), cria uma crise diplomática que só é resolvida em 1494, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, definindo os limites de Terras Portuguesas e Espanholas da seguinte forma:

Falaremos rapidamente sobre Vasco da Gama. Gostaria muito de falar sobre o eterno vice-campeão, Vasco, mas não é ele que nos interessa nesse momento. Vasco da Gama foi um grande navegador que a partir de rotas traçadas por Bartolomeu Dias (que em 1488 contornou o sul da África, o chamado cabo das Tormentas, posteriormente rebatizado de Cabo da Boa Esperança) e Pero Covilhã (que alcançou Calicute através do mar Mediterrâneo) chegou finalmente às tão sonhadas Índias. Toda essa viagem é relatada na obra épica de Camões, Os Lusíadas.    
Dando continuidade ao assunto sobre as terras a oeste, há ainda, por mais incrível que pareça quem diga com toda certeza que o Brasil foi “descoberto”, pela coroa lusa, em 1500. Se foi uma “””“descoberta””” (sim, muitas aspas), por que delimitar as terras (Tratado de Tordesilhas-1494, já falei disso, mas não custa lembrar) antes de elas serem “””””descobertas”””””? É como tomar remédio antes de ficar doente! O povo brasileiro, salvo aqueles que tem mente aberta e inteligência o suficiente para reconhecer a importâncias de certas pessoas para a sociedade, tem uma terrível mania de chamar de “rei” ou de “ídolo” qualquer um que faz uma multidão gritar “gol” ou “independência ou morte”. Essa característica lamentável é herança lusitana. Em 1500, uma expedição com 13 embarcações e cerca de 1500 homens, comandados pelo nosso querido herói Pedro Álvares Cabral (não estou a dizer que Pedrinho foi ruim para o Brasil, minha intenção será exposta a seguir) partiu em direção às Índias. Porém, “acidentalmente” houve um pequeno desvio na rota, o que ocasionou na chegada portuguesa no lugar que posteriormente se tornou um país, que é de onde eu vos escrevo agora. Chegamos onde eu queria: Cabral levou o nome de descobridor do Brasil, mas ninguém sequer menciona Duarte Pacheco Pereira, que chegou por aqui em 1498 a mando da coroa lusitana e teve que de manter em sigilo o ocorrido já que o ponto onde ele aportou se encontrava em terras espanholas, na atual Amazônia. (Tratado de Tordesilhas, outra vez). Enfim, dizer que o Brasil foi descoberto é um equívoco, dizer que Cabral é um herói é um equívoco do tamanho do ferro que nosso país tomou do período colonial até a “”independência”” (aspas! Muitas aspas!), mas esses assuntos serão tratados nas próximas postagens.
NOTA-2: No ENEM não é prudente seguir a ideia de que muitas coisas que acontecem e aconteceram no país são frutos de mentiras, fraudes, etc. O governo é quem faz a prova, devemos estar do lado deles. Façam a prova como quem pensa nas duas frentes, como por exemplo: com a ideia de que Cabral foi um grande herói e ao mesmo tempo com o pensamento de que ele era somente um “pau mandado” da coroa lusa.