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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

História do Brasil - A Expansão Marítima Portuguesa



—"Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!

Eis aqui uma passagem da obra Os Lusíadas, de autoria camoniana. O episódio narrado, protagonizado pelo Velho de Restelo, deixa evidente como Portugal, pelo menos na visão de Camões, ansiava por poder, glória, riquezas e fama. É evidente que o principal motivo das Grandes Navegações não foge muito disso, visto que, após chegar às terras hoje conhecidas como Brasil, a preocupação portuguesa era obter lucros com a “descoberta”. Mas chega de enrolação, vamos ao que interessa: A Expansão Marítima Portuguesa.
Essa história começa em 1492, quando um genovês chamado Cristovão Colombo (acredito que todos tenham ideia de quem estou falando) chegou ao continente americano. Sob ordens (eu diria patrocínio) da coroa espanhola, Colombo partiu da península ibérica rumando a oeste com o objetivo de chegar às Índias, traçando assim um novo caminho para o centro de comercialização de especiarias mais lucrativo até então.
NOTA: Até aquela época, acreditava-se que ao avançar mar adentro as embarcações encontrariam um precipício, onde as águas de todos os mares convergem, o que gerava medo nos marinheiro. Nesse ponto é válido dizer que Colombo foi muito corajoso (ou muito retardado, dependendo do ponto de vista) ao chamar para si a responsabilidade de navegar em águas inexploradas. Além disso, não era de conhecimento geral, a não ser de estudiosos que eram erroneamente ignorados, que a Terra era redonda. Dogmas religiosos alienavam a população a acreditar que o planeta era um plano, cujas extremidades seriam o precipício citado. Mais um joinha para Colombo, cujo pensamento era seguir para oeste, contornar o planeta e chegar às índias pelo leste.  
Mas porque dar uma volta gigantesca no mundo para chegar a um lugar tão perto, tão próximo da Europa? Simples: o comércio de especiarias passou a ser intermediado por árabes muçulmanos, que compravam o produto indiano e revendiam à Europa, encarecendo-o e reduzindo os lucros dos países europeus, que cuja alternativa seria dar a volta no sul do continente africano para comprar os produtos em primeira mão, o que foi feito por Vasco da Gama em 1497-1498, episódio que será citado depois. Após tomar conhecimento da descoberta de novas terras, a Espanha se declara dona de tudo, porém, Portugal, insatisfeito (puto da vida), cria uma crise diplomática que só é resolvida em 1494, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, definindo os limites de Terras Portuguesas e Espanholas da seguinte forma:

Falaremos rapidamente sobre Vasco da Gama. Gostaria muito de falar sobre o eterno vice-campeão, Vasco, mas não é ele que nos interessa nesse momento. Vasco da Gama foi um grande navegador que a partir de rotas traçadas por Bartolomeu Dias (que em 1488 contornou o sul da África, o chamado cabo das Tormentas, posteriormente rebatizado de Cabo da Boa Esperança) e Pero Covilhã (que alcançou Calicute através do mar Mediterrâneo) chegou finalmente às tão sonhadas Índias. Toda essa viagem é relatada na obra épica de Camões, Os Lusíadas.    
Dando continuidade ao assunto sobre as terras a oeste, há ainda, por mais incrível que pareça quem diga com toda certeza que o Brasil foi “descoberto”, pela coroa lusa, em 1500. Se foi uma “””“descoberta””” (sim, muitas aspas), por que delimitar as terras (Tratado de Tordesilhas-1494, já falei disso, mas não custa lembrar) antes de elas serem “””””descobertas”””””? É como tomar remédio antes de ficar doente! O povo brasileiro, salvo aqueles que tem mente aberta e inteligência o suficiente para reconhecer a importâncias de certas pessoas para a sociedade, tem uma terrível mania de chamar de “rei” ou de “ídolo” qualquer um que faz uma multidão gritar “gol” ou “independência ou morte”. Essa característica lamentável é herança lusitana. Em 1500, uma expedição com 13 embarcações e cerca de 1500 homens, comandados pelo nosso querido herói Pedro Álvares Cabral (não estou a dizer que Pedrinho foi ruim para o Brasil, minha intenção será exposta a seguir) partiu em direção às Índias. Porém, “acidentalmente” houve um pequeno desvio na rota, o que ocasionou na chegada portuguesa no lugar que posteriormente se tornou um país, que é de onde eu vos escrevo agora. Chegamos onde eu queria: Cabral levou o nome de descobridor do Brasil, mas ninguém sequer menciona Duarte Pacheco Pereira, que chegou por aqui em 1498 a mando da coroa lusitana e teve que de manter em sigilo o ocorrido já que o ponto onde ele aportou se encontrava em terras espanholas, na atual Amazônia. (Tratado de Tordesilhas, outra vez). Enfim, dizer que o Brasil foi descoberto é um equívoco, dizer que Cabral é um herói é um equívoco do tamanho do ferro que nosso país tomou do período colonial até a “”independência”” (aspas! Muitas aspas!), mas esses assuntos serão tratados nas próximas postagens.
NOTA-2: No ENEM não é prudente seguir a ideia de que muitas coisas que acontecem e aconteceram no país são frutos de mentiras, fraudes, etc. O governo é quem faz a prova, devemos estar do lado deles. Façam a prova como quem pensa nas duas frentes, como por exemplo: com a ideia de que Cabral foi um grande herói e ao mesmo tempo com o pensamento de que ele era somente um “pau mandado” da coroa lusa.

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