—"Ó
glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!
Ó fraudulento gosto, que se atiça
C'uma aura popular, que honra se chama!
Que castigo tamanho e que justiça
Fazes no peito vão que muito te ama!
Que mortes, que perigos, que tormentas,
Que crueldades neles experimentas!
Eis aqui uma passagem da obra Os
Lusíadas, de autoria camoniana. O episódio narrado, protagonizado pelo Velho de
Restelo, deixa evidente como Portugal, pelo menos na visão de Camões, ansiava
por poder, glória, riquezas e fama. É evidente que o principal motivo das
Grandes Navegações não foge muito disso, visto que, após chegar às terras hoje
conhecidas como Brasil, a preocupação portuguesa era obter lucros com a “descoberta”.
Mas chega de enrolação, vamos ao que interessa: A Expansão Marítima Portuguesa.
Essa história começa em 1492,
quando um genovês chamado Cristovão Colombo (acredito que todos tenham ideia de
quem estou falando) chegou ao continente americano. Sob ordens (eu diria patrocínio)
da coroa espanhola, Colombo partiu da península ibérica rumando a oeste com o
objetivo de chegar às Índias, traçando assim um novo caminho para o centro de
comercialização de especiarias mais lucrativo até então.
NOTA: Até aquela época, acreditava-se
que ao avançar mar adentro as embarcações encontrariam um precipício, onde as águas
de todos os mares convergem, o que gerava medo nos marinheiro. Nesse ponto é válido
dizer que Colombo foi muito corajoso (ou muito retardado, dependendo do ponto
de vista) ao chamar para si a responsabilidade de navegar em águas inexploradas.
Além disso, não era de conhecimento geral, a não ser de estudiosos que eram
erroneamente ignorados, que a Terra era redonda. Dogmas religiosos alienavam a
população a acreditar que o planeta era um plano, cujas extremidades seriam o
precipício citado. Mais um joinha para Colombo, cujo pensamento era seguir para
oeste, contornar o planeta e chegar às índias pelo leste.
Mas porque dar uma volta
gigantesca no mundo para chegar a um lugar tão perto, tão próximo da Europa? Simples:
o comércio de especiarias passou a ser intermediado por árabes muçulmanos, que
compravam o produto indiano e revendiam à Europa, encarecendo-o e reduzindo os
lucros dos países europeus, que cuja alternativa seria dar a volta no sul do
continente africano para comprar os produtos em primeira mão, o que foi feito
por Vasco da Gama em 1497-1498, episódio que será citado depois. Após tomar
conhecimento da descoberta de novas terras, a Espanha se declara dona de tudo,
porém, Portugal, insatisfeito (puto da vida), cria uma crise diplomática que só
é resolvida em 1494, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, definindo os
limites de Terras Portuguesas e Espanholas da seguinte forma:
Falaremos rapidamente sobre Vasco
da Gama. Gostaria muito de falar sobre o eterno vice-campeão, Vasco, mas não é
ele que nos interessa nesse momento. Vasco da Gama foi um grande navegador que
a partir de rotas traçadas por Bartolomeu Dias (que em 1488 contornou o sul da África,
o chamado cabo das Tormentas, posteriormente rebatizado de Cabo da Boa
Esperança) e Pero Covilhã (que alcançou Calicute através do mar Mediterrâneo)
chegou finalmente às tão sonhadas Índias. Toda essa viagem é relatada na obra épica
de Camões, Os Lusíadas.
Dando continuidade ao assunto
sobre as terras a oeste, há ainda, por mais incrível que pareça quem diga com
toda certeza que o Brasil foi “descoberto”, pela coroa lusa, em 1500. Se foi
uma “””“descoberta””” (sim, muitas aspas), por que delimitar as terras (Tratado
de Tordesilhas-1494, já falei disso, mas não custa lembrar) antes de elas serem
“””””descobertas”””””? É como tomar remédio antes de ficar doente! O povo
brasileiro, salvo aqueles que tem mente aberta e inteligência o suficiente para
reconhecer a importâncias de certas pessoas para a sociedade, tem uma terrível
mania de chamar de “rei” ou de “ídolo” qualquer um que faz uma multidão gritar “gol”
ou “independência ou morte”. Essa característica lamentável é herança lusitana.
Em 1500, uma expedição com 13 embarcações e cerca de 1500 homens, comandados
pelo nosso querido herói Pedro Álvares Cabral (não estou a dizer que Pedrinho foi
ruim para o Brasil, minha intenção será exposta a seguir) partiu em direção às Índias.
Porém, “acidentalmente” houve um pequeno desvio na rota, o que ocasionou na
chegada portuguesa no lugar que posteriormente se tornou um país, que é de onde
eu vos escrevo agora. Chegamos onde eu queria: Cabral levou o nome de
descobridor do Brasil, mas ninguém sequer menciona Duarte Pacheco Pereira, que
chegou por aqui em 1498 a mando da coroa lusitana e teve que de manter em
sigilo o ocorrido já que o ponto onde ele aportou se encontrava em terras
espanholas, na atual Amazônia. (Tratado de Tordesilhas, outra vez). Enfim,
dizer que o Brasil foi descoberto é um equívoco, dizer que Cabral é um herói é
um equívoco do tamanho do ferro que nosso país tomou do período colonial até a “”independência””
(aspas! Muitas aspas!), mas esses assuntos serão tratados nas próximas postagens.
NOTA-2: No ENEM não é prudente
seguir a ideia de que muitas coisas que acontecem e aconteceram no país são
frutos de mentiras, fraudes, etc. O governo é quem faz a prova, devemos estar
do lado deles. Façam a prova como quem pensa nas duas frentes, como por
exemplo: com a ideia de que Cabral foi um grande herói e ao mesmo tempo com o
pensamento de que ele era somente um “pau mandado” da coroa lusa.

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