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terça-feira, 17 de setembro de 2013

História do Brasil - Período Colonial - Quarta Parte



Mineração

Com o recalque violento da Holanda, ao iniciar o plantio do açúcar nas Antilhas, Portugal ganhou um forte concorrente. A situação em que o Estado Luso se encontrava não era nada agradável: dívidas a quitar com a Inglaterra, uma burguesia mimada que não larga dos privilégios nem por reza brava e, para ferrar com tudo, há a redução nos lucros com o açúcar.
Porém, com a descoberta das minas de ouro, no fim do século XVII (século 17, para aqueles que, assim como eu, acham a maior viadagem ser errado não escrever o século com números romanos), surge uma luz no fim do túnel. Com ouro pra caramba quem passa necessidade? Uma pista: isso mesmo, Portugal! Isso será explicado mais a diante.
Os bandeirantes, aquele monte de doido que, primeiramente, carregava bandeira no meio do mato pra pegar índio escravo fugido, foram os descobridores do ouro, na região de Minas Gerais, mais precisamente em Ouro Preto (lógico que o ouro não era preto). A notícia se espalhou rapidamente, tanto no Brasil quanto na Europa, o que fez a região do ouro ser o destino de milhares de pessoas cujo objetivo era enriquecer. Lógico que Portugal não ficou para trás, logo criou uma forma de cobrar impostos (muito altos, inclusive) sobre o ouro explorado. Surgia a Intendência das Minas. O quinto era o imposto equivalente a 20% do ouro extraído, havendo também a capitação, que era o imposto relativo ao número de integrantes da família do minerador, o que posteriormente foi modificado para o equivalente ao número de escravos que ele pertencia. Os colonos não gostaram nada dessa história, o que fez surgir os primeiros sentimentos de revolta.
Como não havia fiscalização sobre a quantidade de ouro que alguém encontrava, o espertinho poderia simplesmente não revelar sua descoberta, evitando ter que pagar para a coroa. Quando Portugal finalmente percebeu isso, criou as Casas de Fundição, cuja função era a seguinte: todo ouro extraído deveria ser fundido em barras com o selo da coroa portuguesa. Caso alguém fosse encontrado com ouro em pó ou em qualquer outro estado que não correspondesse às exigências, esse coitado seria preso. Nas casas de fundição o valor relativo ao quinto já era descontado. Não precisa dizer que o valor descontado, obviamente, era muito maior que aquele previsto. E a raiva dos colonos vai crescendo.
Após o progressivo aumento de impostos, que geravam cada vez menos lucro aos mineradores, surgem as primeiras revoltas, tais como: Revolta de Beckman, Guerra dos Mascates e Guerra dos Emboabas. Claro que não foram as únicas, mas são as mais importantes. As Revoltas Nativistas não tinham a intenção de separar o Brasil da metrópole, mas a revisão da pressão da coroa lusitana. Vamos lá:
Revolta de Beckman: quem aí pensou naquele carinha que joga futebol PÊÊÊÊÊÊÊÊÊMMMMM! Não é ele, porque o nome do cara é “Beckham”. Continuemos. Essa revolta teve como liderança os irmãos Tomás e Manuel Beckman (daí o nome), tendo como objetivo dar um “jeito” na Companhia de Comércio do Maranhão, que detinha o monopólio das atividades comerciais. Segundo os revoltosos a Companhia não garantia o número de escravos necessário para a produção, além de cobrar muito cara por aquilo que lhes vendia. Os jesuítas também colaboraram para a eclosão da revolta, afinal não eram favoráveis à escravização dos índios. Os revoltosos tomaram do governo, suspenderam a Companhia De Comércio do Maranhão e meteram o pé na bunda dos jesuítas que foram pedir arrego na Bahia. Portugal entrou no meio da briga e acabou com a bagunça, o Manuel foi enforcado e seu irmão Tomás ficou preso por duas décadas. Curiosa sobre o que motivou tanta baderna, a coroa investigou a Companhia de Comércio, o que resultou na sua posterior extinção, confirmados os abusos. Os jesuítas puderam voltar para o Maranhão.
            Guerra dos Mascates: basicamente foi uma briga entre Recife e Olinda. Em Recife viviam os mascates (comerciantes portugueses), e em Olinda os senhores de engenho. Com a expulsão holandesa e a concorrência do açúcar por eles produzido nas Antilhas, a produção açucareira no Brasil caiu drasticamente. Sem grana, os senhores de engenho buscaram ajudo nos mascates, que começaram a financiar os seus negócios. Muitos senhores perderam suas terras por não conseguirem pagar as dívidas. Crescia assim o poder dos mercadores portugueses. Porém, toda essa força econômica não garantia aos mercadores a independência da Câmara Municipal de Recife. Já deu pra ver no que vai dar né? Pois então, Recife teve reconhecimento de sua autonomia, em relação à linda, por parte de Portugal. Soou o gongo! Os senhores de engenho olindenses, que já não tinha muito a perder, caíram no fight com Recife. Mais uma vez Portugal entrou pra separar, acabando com a confusão.
            Guerra dos Emboabas: os emboabas eram imigrantes estrangeiros ou de regiões do Brasil que não se encontravam nos limites paulistas. Os conflitos entre os paulistas e os emboabas datam do início da imigração para o Brasil em busca de ouro. Depois de tantos enfrentamentos entre ambas as partes, um episódio caracterizou todo o movimento: o Capão da Traição, que ocorreu quando os emboabas chamaram os paulistas para ma “negociação”, onde mataram quase todos, cerca de 300. Os que sobreviveram fugiram para Goiás e Mato Grosso, onde encontraram ouro também. Com o fim da guerra (sim, já acabou) Portugal criou a Capitania Real de São Paulo e Minas do Ouro, buscando maior controle na administração.
            Próxima postagem falando sobre Marquês de Pombal e revoltas separatistas, até mais!         

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