Mineração
Com o recalque violento da
Holanda, ao iniciar o plantio do açúcar nas Antilhas, Portugal ganhou um forte
concorrente. A situação em que o Estado Luso se encontrava não era nada
agradável: dívidas a quitar com a Inglaterra, uma burguesia mimada que não larga
dos privilégios nem por reza brava e, para ferrar com tudo, há a redução nos
lucros com o açúcar.
Porém, com a descoberta das minas
de ouro, no fim do século XVII (século 17, para aqueles que, assim como eu,
acham a maior viadagem ser errado não escrever o século com números romanos),
surge uma luz no fim do túnel. Com ouro pra caramba quem passa necessidade? Uma
pista: isso mesmo, Portugal! Isso será explicado mais a diante.
Os bandeirantes, aquele monte de
doido que, primeiramente, carregava bandeira no meio do mato pra pegar índio
escravo fugido, foram os descobridores do ouro, na região de Minas Gerais, mais
precisamente em Ouro Preto
(lógico que o ouro não era preto). A notícia se espalhou rapidamente, tanto no
Brasil quanto na Europa, o que fez a região do ouro ser o destino de milhares
de pessoas cujo objetivo era enriquecer. Lógico que Portugal não ficou para
trás, logo criou uma forma de cobrar impostos (muito altos, inclusive) sobre o
ouro explorado. Surgia a Intendência das
Minas. O quinto era o imposto
equivalente a 20% do ouro extraído, havendo também a capitação, que era o imposto relativo ao número de integrantes da
família do minerador, o que posteriormente foi modificado para o equivalente ao
número de escravos que ele pertencia. Os colonos não gostaram nada dessa
história, o que fez surgir os primeiros sentimentos de revolta.
Como não havia fiscalização sobre
a quantidade de ouro que alguém encontrava, o espertinho poderia simplesmente
não revelar sua descoberta, evitando ter que pagar para a coroa. Quando
Portugal finalmente percebeu isso, criou as Casas de Fundição, cuja função era a seguinte: todo ouro extraído
deveria ser fundido em barras com o selo da coroa portuguesa. Caso alguém fosse
encontrado com ouro em pó ou em qualquer outro estado que não correspondesse às
exigências, esse coitado seria preso. Nas casas de fundição o valor relativo ao
quinto já era descontado. Não precisa dizer que o valor descontado, obviamente,
era muito maior que aquele previsto. E a raiva dos colonos vai crescendo.
Após o progressivo aumento de
impostos, que geravam cada vez menos lucro aos mineradores, surgem as primeiras
revoltas, tais como: Revolta de Beckman, Guerra dos Mascates e Guerra dos
Emboabas. Claro que não foram as únicas, mas são as mais importantes. As Revoltas Nativistas não tinham a
intenção de separar o Brasil da metrópole, mas a revisão da pressão da coroa
lusitana. Vamos lá:
Revolta de Beckman: quem aí pensou naquele carinha que joga futebol
PÊÊÊÊÊÊÊÊÊMMMMM! Não é ele, porque o nome do cara é “Beckham”. Continuemos.
Essa revolta teve como liderança os irmãos Tomás e Manuel Beckman (daí o nome),
tendo como objetivo dar um “jeito” na Companhia de Comércio do Maranhão, que
detinha o monopólio das atividades comerciais. Segundo os revoltosos a
Companhia não garantia o número de escravos necessário para a produção, além de
cobrar muito cara por aquilo que lhes vendia. Os jesuítas também colaboraram
para a eclosão da revolta, afinal não eram favoráveis à escravização dos índios.
Os revoltosos tomaram do governo, suspenderam a Companhia De Comércio do Maranhão
e meteram o pé na bunda dos jesuítas que foram pedir arrego na Bahia. Portugal entrou
no meio da briga e acabou com a bagunça, o Manuel foi enforcado e seu irmão Tomás
ficou preso por duas décadas. Curiosa sobre o que motivou tanta baderna, a
coroa investigou a Companhia de Comércio, o que resultou na sua posterior extinção,
confirmados os abusos. Os jesuítas puderam voltar para o Maranhão.
Guerra dos Mascates: basicamente foi
uma briga entre Recife e Olinda. Em Recife viviam os mascates (comerciantes portugueses), e em Olinda os senhores de
engenho. Com a expulsão holandesa e a concorrência do açúcar por eles produzido
nas Antilhas, a produção açucareira no Brasil caiu drasticamente. Sem grana, os
senhores de engenho buscaram ajudo nos mascates, que começaram a financiar os
seus negócios. Muitos senhores perderam suas terras por não conseguirem pagar
as dívidas. Crescia assim o poder dos mercadores portugueses. Porém, toda essa
força econômica não garantia aos mercadores a independência da Câmara Municipal
de Recife. Já deu pra ver no que vai dar né? Pois então, Recife teve
reconhecimento de sua autonomia, em relação à linda, por parte de Portugal. Soou
o gongo! Os senhores de engenho olindenses, que já não tinha muito a perder, caíram
no fight com Recife. Mais uma vez Portugal entrou pra separar, acabando com a
confusão.
Guerra dos Emboabas: os emboabas eram
imigrantes estrangeiros ou de regiões do Brasil que não se encontravam nos
limites paulistas. Os conflitos entre os paulistas e os emboabas datam do início
da imigração para o Brasil em busca de ouro. Depois de tantos enfrentamentos
entre ambas as partes, um episódio caracterizou todo o movimento: o Capão da Traição, que ocorreu quando os
emboabas chamaram os paulistas para ma “negociação”, onde mataram quase todos,
cerca de 300. Os que sobreviveram fugiram para Goiás e Mato Grosso, onde
encontraram ouro também. Com o fim da guerra (sim, já acabou) Portugal criou a Capitania Real de São Paulo e Minas do Ouro,
buscando maior controle na administração.
Próxima
postagem falando sobre Marquês de Pombal e revoltas separatistas, até mais!
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