Para o oeste meu jovem!
Até a segunda metade do século
XVI, o interior do território brasileiro permanecia praticamente inexplorado.
Os investimentos econômicos, sejam espanhóis ou portugueses, se concentravam na
porção litoral. No caso espanhol, no litoral pacífico, no caso português, no
litoral atlântico. Com a União Ibérica, em 1580, os lusitanos se viram livres
para adentrar o território, afinal não havia mais limites entre o que pertencia
a Espanha ou a Portugal. Surgiram vilas interioranas, principalmente em áreas
anteriormente pertencentes à Espanha. Surgia assim o Bandeirismo.
Os
bandeirantes, como eram conhecidos os colonos paulistas, assim como os Jesuítas, que eram missionários a
serviço da Companhia de Jesus, tiveram a maior participação na interiorização
do território brasileiro. Mas agora resta a pergunta: se no nordeste o pessoal
tinha trabalho nos engenhos, tinha açúcar para plantar e colher, além de estar
próximo ao centro de escoamento de mercadorias para a metrópole, por que diabos
esses infelizes vão querer inventar de entrar em um território cheio de índio
doido (brincadeira indiozinhos, amamos vocês. São os canibais) querendo comer
gente? Simples: com o fracasso da capitania de São Vicente, a população local
ficou sem ter o que fazer, o que fez com que rumassem para o interior em busca
de riquezas. De início, desenvolveu-se a agricultura nas regiões recém
povoadas, com auxílio da mão de obra indígena, escravizada, é claro. Muito bem,
aí está uma forma de lucro obtida pelos bandeirantes: apresamento de índio,
dando-lhes o nome de Bandeirantes de
Apresamento. Logo de cara os lucros foram grandes, visto que com a invasão
holandesa no nordeste e a consequente perda de mão de obra escrava (afinal os
invasores passaram a controlar o tráfico naquela região, e as partes
nordestinas que não se encontravam sob controle holandês sofreram com a escassez
de mão de obra) era necessário a substituição do negro africano. A saída
encontrada foi a captura de índios (exatamente, CAPTURA, como se fossem animas
selvagens que precisam de adestramento). As missões jesuíticas, que era onde se encontravam os indígenas que os
jesuítas buscavam catequizar, foram os maiores alvos dos bandeirantes, pois por
lá os nativos eram mais bem preparados para o trabalho, já que estavam “acostumados”
com o estilo europeu.
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| Bandeirantes (esquerda) e Jesuítas (direita). |
Com a
expulsão holandesa em 1654, o tráfico negreiro voltou ao normal, fato que
somado à concorrência do açúcar das Antilhas, que diminuiu a lucratividade
nordestina, reduziu drasticamente a demanda por escravos indígenas. Como saída,
surgiram as Bandeiras de Prospecção,
cujo objetivo era encontrar metais preciosos. As primeiras jazidas auríferas foram
encontradas em Minas
Gerais, logo em seguida em Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul e Goiás. Houve também o Sertanismo
de Contrato, em que os bandeirantes eram pagos para destruir quilombos e/ou
capturar escravos fugidos.
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| Zumbi, líder do maior quilombo já conhecido. |
Não dá para negar como os bandeirantes foram
importantes para a exploração e colonização do interior do Brasil, mas devemos
lembrar que houve milhares de mortes pelas mãos dos mesmos, a maioria indígenas
que ofereciam resistência ao aprisionamento, sem falar nos negros quilombolas
que também foram assassinados. Enfim, para quem não entendeu a frase “Para o
oeste meu jovem!” foi uma citação à marcha para o oeste, empreendida nos
Estados Unidos, estimulada por George Washington, não entrarei em mais detalhes,
pois essa parte é com o Marotta.


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